quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

FIM DE TARDE NA URCA

O vento sopra forte em frente à Ufrj.
No sinal,uma senhora segura firme a mão de uma criança para atravessar a rua..
Um gato preguiçoso sucumbe e cai do muro.
Um paciente do Pinel grita...
O mundo não é facil de ser decifrado,talvez por isso o cara esteja perturbado.
Os ultimos raios de sol se amotinam atrás do morro da Urca e o coração de Elizabeth salta pela boca quando do nada ela dá de cara com Hugo, dobrando a esquina.
"Que sina! Seu bairro fica uns 5 bairros pra lá...ele faz o que aqui?"
-Que surpresa!Tomamos uma cerveja?
-Ah claro que sim! Segura pra mim?Preciso amarrar o sapato...
O vento sopra forte em frente à Ufrj e também na mureta da Urca.
No torpor da 3°cerveja e sob a penumbra latente e bela da baía de Guanabara dois amantes se reencontram e se beijam.
Na praia, depois do antigo cassino, os umbandistas lutam para manter as velas acesas.
Então se faz noite de Iemanja e as Deusas sopram sobre o mar um vento que tem a força de mil sereias misteriosas.
No Pinel o paciente voluntarioso dorme agora placidamente, abatido por substancias benzodiazepinicas certeiras, que bailam em sua corrente sanguínea a dança de Morfeu.
O gato preguiçoso se aninha embaixo de uma árvore depois de ter comido uma salsicha jogada à ele por um estudante de pedagogia.
Segue a noite e depois dela mais um dia .
Depois outro e outro e outro...
Elizabeth se casa com Hugo e num esforço sublime pari 2 filhos para em seguida pedir o divórcio.
Casa-se novamente com Mariano que morre 3 anos depois, assim como já morreu o gato e um dia morrerá o louco do hospício e também os umbandistas que creem em Deus.
Ela propria, Elizabeth,com sorte,morrerá antes de seus filhos.
Tudo há de morrer como esta historia que pinga relatos e mal consegue manter-se nos fatos, tampouco consegue explicar o quanto tudo é efemero, mesmo se fazendo entender e tentando lembrar que tudo que importa na vida é amar...

CONTO DE LITERATURA E DELÍRIO (ou porque eu e Moby Dick amamos o mar).

Existem casais no Brooklin que são felizes.
Vi estes dias no facebook um deles.O cara usava um tapa olho e a mina tinha o cabelo vermelho.Era nítido que eles se amavam.
Eu,de verdade,acredito no amor.
Acho sinceramente que ao fim e ao cabo amar é como receber um noticia ruim,mas ser imediatamente recompensada por isso.
Fico pensando que se tudo der certo, 2018 será um ano próspero.
Os astros se posicionaram de modo que agora quem plantou,vai colher.
Mas essa pergunta não quer calar:
E se você não plantou nada?
Você sabe como saber?
A astrologia é o terraplanismo aceito socialmente e o importante é seguir adiante e resistir.
A noite é só uma criança mas preciso dormir porque quero acordar cedo e ir à praia.
Independente de maiô ou biquíni sei que todos irão julgar o fato de eu não ganhar o bastante , não ser boa o suficiente e estragar tudo outra vez.
Na verdade tô pouco me lixando.
A literatura me trouxe auto confiança...É um oficio ridículo e defasado,mas ainda me serve de entretenimento.
Além disso o melhor da vida é a night e o melhor da night não é só o texto...É a banda,e o balanço das gatas,e a tatuagem daquele cara (além do vj e da cerveja gelada).
Hoje foi um dia bom. Comprei o
I ching + 1984 por míseros R$ 8 reais. Deixei R$ 2 de gorjeta ao liberar uma circunspecta arara inscrita num papel carmim, inventado pela casa da moeda(nossa nota de
R$10).Depois, parti feliz pela Nossa Senhora de Copacabana ao som do Sonic Youth, buscando um ônibus que passasse na 1° de março,bahia de Guanabara,poluição,cardumes resistindo, e delírio.
Viver no Rio de Janeiro não é de todo ruim. Tem bicicletas do Itaú e amor livre. Principalmente na zona sul.E isso não é uma crítica...só uma constatação.
Amigo meu do rock e do subúrbio cantou a pedra outro dia: "vai ser maconheiro e viado na Baixada pra ver se é fácil".
Não foi uma critica,só uma constatação.
Pior de tudo é constatar que pouca coisa valha a pena.
Mesmo assim a gente faz...por obrigação,necessidade ou amor.
Ninguém sabe exatamente se os cérebros maiores são os mais inteligentes.A baleia cachalote tem o cerébro gigantesco e é fato que Moby Dick deu trabalho aos marujos ...
Darwin já nos disse que não é o mais forte (ou inteligente) quem sobrevive e sim, o que melhor se adapta.
E quando tudo já foi dito o texto deve funcionar assim:FIM.
Dar por encerrado as vezes é o melhor que se tem à fazer.
Já é outro dia e não quero amanhecer.
Pretendo acordar cedo e ir à praia (se não chover).