Faz tempo, a sorte me abandonou.
Vivo a Deus dará já tem alguns anos.No começo não dava importância. Cultivava pensamentos do tipo "o sofrimento enobrece","depois da tempestade vem a bonança" ou me inspirava no "amor fati" ideia cuja a qual Nietzsche tanto discorreu sobre a sacramentação de tudo que nos acontece, seja bom ou ruim.
Depois simplesmente me resignei.Me acostumei ao sonambulismo da alma, a tristeza das minhas próprias feições e pensamentos.Tentei até acreditar que todo o desespero e infortúnio que se apoderavam de mim tivessem sido criados pela minha própria mente e ,então, como ensinam os manuais pitorescos de auto ajuda, passei a tomar posturas artificialmente positivas em relação a minha existência infeliz.
Me formei numa faculdade renomada pensando que orgulhar meus pais pudesse ser de grande valia para minha moral ou mesmo para o desempenho prático de meus afazeres profissionais...quanta inocência. O saber , sem sombra de duvida, atormenta muito mais o ser do que qualquer outra coisa. Quanto mais se sabe menos se tem.Caem por terra todas as ilusões, as esperanças e os devires argumentativos de que a vida pode ser bela.Principalmente quando você estuda alguma Ciência ligada a natureza humana.Me formei em História e desde sempre soube que seria a minha ruína porque não se deve esperar nada de bonito ou produtivo da humanidade.A questão vai além do homem ser o lobo do homem ...o buraco é muito mais embaixo.O animal excepcionalmente sagaz e de cérebro maior(em proporção ao corpo) que todos os outros primatas ,capaz de expressar nitidamente emoções e quereres , é também uma erva daninha sobre a terra.Carrega em si o germe da insatisfação e é incapaz de contemplar como os outros animais.
Somos como uma grande represa cheia de buracos e nos especializamos em tapá-los ao invés de buscar o erro engenhoso que faz nossas águas escoarem.
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