Nick name de Laura-Rosa (em homenagem à Rosa Luxemburgo)
Nick name de Seu grande amor -Rocinante (em homenagem ao cavalo de D Quixote)
Nick name de Seu grande amor -Rocinante (em homenagem ao cavalo de D Quixote)
Laura engoliu o grito.
Não seria propriamente um grito de horror ou de medo, mas um grito de angustia.
Não podia acreditar no que vira...
Seu grande amor era corcunda e pesava uns150 kg distribuídos em 1.90 de altura. Tinha problemas de glicose alta, pressão alta, altas dores nas costas.
Por meses e meses eles trocaram e-mails sobre literatura e vida.
Seu grande amor fazia citações do Alcorão, gostava de boa música francesa e frequentemente os comparava à Abelardo e Heloísa. Questionavam sempre se o verdadeiro sentido do amor, assim como o do casal do fim da idade média, seria não realizar-se.
Seu grande amor sabia latim e sempre recheava os e-mails com frases profundas da língua verdadeiramente cristã.
Pareciam feitos um para o outro, queriam as mesmas coisas, apreciavam vinho branco no domingo de manhã com uvas, tinto no sábado à noite com chocolate meio amargo.
Contavam bons causos da infância um do outro e, apesar de serem contrários na filosofia econômica (Laura era marxista, Seu grande amor liberal), queriam passar seus anos finais no mato, cultivando hortaliças e batatas.
Laura sempre sonhara com alguém gentil que a fizesse acreditar que a vida é mais amena do que tenta parecer. Fora isso, precisava de alguém que a fizesse ter disciplina, sabia que era uma pessoa altamente influenciável (não que não tivesse personalidade, continuaria a ouvir punk rock alto, indo de encontro às preferências musicais eruditas de Seu grande amor), e uma pessoa menos austera, mas mais objetiva lhe faria bem.
No entanto ele era gordo, corcunda, careca.
Laura olhava de dentro do táxi perplexa: “Ele mentiu. Disse que tinha um metro e noventa, olhos azuis, era forte.”
Ao que tudo parecia ele realmente tinha os olhos azui, e era bem forte. Algumas coisas Laura também havia mentido ao Seu grande amor, disse que tinha somente um filho e tinha dois. Disse que era doutora em filosofia e mal terminara a graduação em letras.
Seu grande amor não mentiu em tudo, era realmente um escritor de vida tranqüila, que conseguira, aos 39 anos, muito mais profissionalmente do que Laura conseguiria.
Pagava um condomínio alto em um prédio confortável com seus ganhos com contos e novelas para classe intelectual. Participava de filmes como co-roteirista.
Laura gastava tempo demais bebendo e escrevendo poesia, por isso precisava trabalhar em dobro para pagar as contas.
Mas eram sem dúvida e, apesar das mentiras, feitos um para o outro.
Laura pediu que o taxista desse a volta na quadra e passasse novamente no mesmo ponto de ônibus onde haviam combinado, (ele estaria de chapéu e ela com um lenço no pescoço).
Lembrou-se do dia em que ele passou mal de uma gastrite e foi para o hospital. Ficara 4 ou 5 dias sem lhe escrever, Laura ficara triste, sem vontades maiores até de comer bolo de kani ou lasanha de berinjela, seus pratos preferidos.Perdera completamente a fome.
Pensou rapidamente em como seria aquele homem, bem diferente do Adonis que havia imaginado na sua cama, beijando-a, amando-a. Pensou que se não descesse do táxi não mais poderia lhe escrever, pensou em como foi tola não enviando ou exigindo uma foto.
Foi tudo tão rápido e bonito que ela agora não saberia como agir, ainda que quisesse. E imagine se ela chegasse primeiro e ele não gostasse de sua cor pálida, seu cabelo sem brilho, suas unhas por fazer?
Mas aquele homem que lembrava mais um Nosfetaru com problemas de balança já era demais – perái! - pensou ela. Tudo tem limite, meu Deus!
Laura mandou que o táxi seguisse e seguiu sua vida ciente de que era um ser humano pequeno e superficial, mas que tinha um poder crucial e determinante sobre suas escolhas.
Sabia que naquele momento, enquanto era mesquinha e petulante, agia sobre suas próprias possibilidades históricas, fossem elas nobres ou não. Ela exercia o livre arbítrio ciente de suas responsabilidades.
Arrependeu-se um tempo depois, pois não conseguira sair da depressão que lhe acometeu aquele dia.
Escreveu para ele e não obteve resposta. Era tarde demais...
Seu grande amor casara-se com uma antiga amiga que ficara viúva e era nutricionista. Em seguida emagreceu bastante e tratou seus infelizes sintomas de pouca saúde.
Ele e a esposa correm na praia, viajam para lugares exóticos e fazem arte terapia.
Laura continua errante, prefere pensar que o mundo de Deus é assim mesmo, imperfeito, e que o verdadeiro amor é o que nunca se realiza.
Não seria propriamente um grito de horror ou de medo, mas um grito de angustia.
Não podia acreditar no que vira...
Seu grande amor era corcunda e pesava uns150 kg distribuídos em 1.90 de altura. Tinha problemas de glicose alta, pressão alta, altas dores nas costas.
Por meses e meses eles trocaram e-mails sobre literatura e vida.
Seu grande amor fazia citações do Alcorão, gostava de boa música francesa e frequentemente os comparava à Abelardo e Heloísa. Questionavam sempre se o verdadeiro sentido do amor, assim como o do casal do fim da idade média, seria não realizar-se.
Seu grande amor sabia latim e sempre recheava os e-mails com frases profundas da língua verdadeiramente cristã.
Pareciam feitos um para o outro, queriam as mesmas coisas, apreciavam vinho branco no domingo de manhã com uvas, tinto no sábado à noite com chocolate meio amargo.
Contavam bons causos da infância um do outro e, apesar de serem contrários na filosofia econômica (Laura era marxista, Seu grande amor liberal), queriam passar seus anos finais no mato, cultivando hortaliças e batatas.
Laura sempre sonhara com alguém gentil que a fizesse acreditar que a vida é mais amena do que tenta parecer. Fora isso, precisava de alguém que a fizesse ter disciplina, sabia que era uma pessoa altamente influenciável (não que não tivesse personalidade, continuaria a ouvir punk rock alto, indo de encontro às preferências musicais eruditas de Seu grande amor), e uma pessoa menos austera, mas mais objetiva lhe faria bem.
No entanto ele era gordo, corcunda, careca.
Laura olhava de dentro do táxi perplexa: “Ele mentiu. Disse que tinha um metro e noventa, olhos azuis, era forte.”
Ao que tudo parecia ele realmente tinha os olhos azui, e era bem forte. Algumas coisas Laura também havia mentido ao Seu grande amor, disse que tinha somente um filho e tinha dois. Disse que era doutora em filosofia e mal terminara a graduação em letras.
Seu grande amor não mentiu em tudo, era realmente um escritor de vida tranqüila, que conseguira, aos 39 anos, muito mais profissionalmente do que Laura conseguiria.
Pagava um condomínio alto em um prédio confortável com seus ganhos com contos e novelas para classe intelectual. Participava de filmes como co-roteirista.
Laura gastava tempo demais bebendo e escrevendo poesia, por isso precisava trabalhar em dobro para pagar as contas.
Mas eram sem dúvida e, apesar das mentiras, feitos um para o outro.
Laura pediu que o taxista desse a volta na quadra e passasse novamente no mesmo ponto de ônibus onde haviam combinado, (ele estaria de chapéu e ela com um lenço no pescoço).
Lembrou-se do dia em que ele passou mal de uma gastrite e foi para o hospital. Ficara 4 ou 5 dias sem lhe escrever, Laura ficara triste, sem vontades maiores até de comer bolo de kani ou lasanha de berinjela, seus pratos preferidos.Perdera completamente a fome.
Pensou rapidamente em como seria aquele homem, bem diferente do Adonis que havia imaginado na sua cama, beijando-a, amando-a. Pensou que se não descesse do táxi não mais poderia lhe escrever, pensou em como foi tola não enviando ou exigindo uma foto.
Foi tudo tão rápido e bonito que ela agora não saberia como agir, ainda que quisesse. E imagine se ela chegasse primeiro e ele não gostasse de sua cor pálida, seu cabelo sem brilho, suas unhas por fazer?
Mas aquele homem que lembrava mais um Nosfetaru com problemas de balança já era demais – perái! - pensou ela. Tudo tem limite, meu Deus!
Laura mandou que o táxi seguisse e seguiu sua vida ciente de que era um ser humano pequeno e superficial, mas que tinha um poder crucial e determinante sobre suas escolhas.
Sabia que naquele momento, enquanto era mesquinha e petulante, agia sobre suas próprias possibilidades históricas, fossem elas nobres ou não. Ela exercia o livre arbítrio ciente de suas responsabilidades.
Arrependeu-se um tempo depois, pois não conseguira sair da depressão que lhe acometeu aquele dia.
Escreveu para ele e não obteve resposta. Era tarde demais...
Seu grande amor casara-se com uma antiga amiga que ficara viúva e era nutricionista. Em seguida emagreceu bastante e tratou seus infelizes sintomas de pouca saúde.
Ele e a esposa correm na praia, viajam para lugares exóticos e fazem arte terapia.
Laura continua errante, prefere pensar que o mundo de Deus é assim mesmo, imperfeito, e que o verdadeiro amor é o que nunca se realiza.
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