Laura postava coisas sem sentido em sua própria caixa postal.
As vezes contas de luz rabiscadas de batom, ou uns cartões de natal antigos,que ela guardava desde a infância.
As vezes contas de luz rabiscadas de batom, ou uns cartões de natal antigos,que ela guardava desde a infância.
Não sabia exatamente porque,mas tinha compulsões excêntricas,que muitas vezes davam trabalho.Como se fossem pequenos mimos que regalava a si mesma.Ou aos outros...
Levava de presente uma maçã,elogiava o óbvio de maneira criativa,lavava a louça dos convivas ou lhes escrevia poesias.
O fato é que prestava-se à pequenos engenhos existenciais,e via na exuberância mínima dos insetos a máxima das explicações místicas à cerca do universo.
Levava de presente uma maçã,elogiava o óbvio de maneira criativa,lavava a louça dos convivas ou lhes escrevia poesias.
O fato é que prestava-se à pequenos engenhos existenciais,e via na exuberância mínima dos insetos a máxima das explicações místicas à cerca do universo.
Era doce, gentil, sóbria e... torpe.
Na porta da 13°
Ninguém podia acreditar no que via.
Sua mãe chorava, os olhos em intermináveis inundações embasbacavam-se com o que teria que aceitar.Sua filha,querida Laura, "ah querida Laura!" era uma assassina.
Na porta da 13°, as mãos ainda impregnadas de sangue,Laura observava tudo com a frieza impressionante dos que sabem não poderem mais voltar atrás.
Sua mãe chorava, os olhos em intermináveis inundações embasbacavam-se com o que teria que aceitar.Sua filha,querida Laura, "ah querida Laura!" era uma assassina.
Na porta da 13°, as mãos ainda impregnadas de sangue,Laura observava tudo com a frieza impressionante dos que sabem não poderem mais voltar atrás.
Por que fiz isso?
Teve a mesma sensação de quando instintivamente dera, impulsionada pela furia, um tapa no braço de seu primogênito que lhe deixara os dedos marcados.Tarde demais ... como reaver o ato à ponto de transmutá-lo? Não era mais possível e desta vez não poderia simplesmente se desculpar ou comprar um brinquedo novo.Laura sabia disso.Sabia também que seus bons antecedentes e seu diploma de curso superior lhe diminuíram a pena.
Fosse homem perderia totalmente a simpatia de uma juiza...rezava para ser uma juiza!
Pobre Laurinha...A louca Laura.Como pode?
Teve a mesma sensação de quando instintivamente dera, impulsionada pela furia, um tapa no braço de seu primogênito que lhe deixara os dedos marcados.Tarde demais ... como reaver o ato à ponto de transmutá-lo? Não era mais possível e desta vez não poderia simplesmente se desculpar ou comprar um brinquedo novo.Laura sabia disso.Sabia também que seus bons antecedentes e seu diploma de curso superior lhe diminuíram a pena.
Fosse homem perderia totalmente a simpatia de uma juiza...rezava para ser uma juiza!
Pobre Laurinha...A louca Laura.Como pode?
Duas horas antes, no saguão de um motel com iluminação dicroica,quadros com motivos bucólicos,carpete cinza. (discutia com seu ex noivo que tentava reatar com ela)
-Cara,desisti, foi mal, não quero mais , outro dia a gente se fala...
-Como é que é ? Eu vim aqui pra ir embora? Nada a ver.
-Já bebi 6 caipirinhas e fumei um.Tomei remédios demais pra dormir ontem, não me sinto bem.
-Ah vamos subir e lá em cima você dorme.
Uma hora antes , no quarto de motel salmon com cortinas beges pesadas, lençóis verde claro e um lindo vaso de alabastro moderno,compondo a decoração
-Me deixa sair, quero ir embora!
-Por essa porta você não passa,até se calmar,até eu falar com você, porra!
-Me deixa saiiiiiiiirrrrrrr!
-Não
-Socorro!Quero sair daqui...
-Eu sou mais forte querida,você não vai conseguir..
Um vaso não deveria causar tanto estrago
O que restava à Laura? Quem acreditaria nela?
O faxineiro machista que a ouviu pedindo socorro e nada fez? Deus? Aonde estava Deus agora que ela debandara-se definitivamente para o outro lado? Deus viraria-lhe a cara com razão.
Torpe Laura...
O faxineiro machista que a ouviu pedindo socorro e nada fez? Deus? Aonde estava Deus agora que ela debandara-se definitivamente para o outro lado? Deus viraria-lhe a cara com razão.
Torpe Laura...
Levantou a cabeça,lembrou-se de seus princípios morais que ainda que temporariamente estremecidos,moravam nela tanto quanto sua vocação estoica.
Lhe ocorreu que enxergaria no espelho uma heroína,um pequeno mimo dos que regalava a si mesma em segredo.
Afinal, eram históricos os humores alterados dos que são acometidos pelo amor.
Lhe ocorreu que enxergaria no espelho uma heroína,um pequeno mimo dos que regalava a si mesma em segredo.
Afinal, eram históricos os humores alterados dos que são acometidos pelo amor.
Agora ao menos,afastaria-se definitivamente ou por um longo tempo dele.
AMOR...O verdadeiro culpado que agia em Laurinha com garras de fogo, imbuído pela grande e sensual senhora: a Paixão e entorpecido pelo monstro de olhos verdes que atordoava Otelo:o Ciúme
AMOR...O verdadeiro culpado que agia em Laurinha com garras de fogo, imbuído pela grande e sensual senhora: a Paixão e entorpecido pelo monstro de olhos verdes que atordoava Otelo:o Ciúme
Ao pensar nisso estremeceu, e interceptou seu pai, que já ligava para o advogado amigo da família.
-Não pai, quero chamar outra pessoa.Tenho um amigo especial que poderá me ajudar.
Lembrou do rosto profundo e pragmático de seu vizinho, advogado criminalista com quem teve um rápido affair no passado.Era a oportunidade perfeita para reencontrá-lo.
Lembrou das suas mãos e do dia em que ele chorou vendo um filme.Mesmo homens pragmáticos choram e as mulheres sempre se enternecem quando veem um homem chorar.
Lembrou das suas mãos e do dia em que ele chorou vendo um filme.Mesmo homens pragmáticos choram e as mulheres sempre se enternecem quando veem um homem chorar.
É Laura, você não poderia viver tão só, na prisão, sem um novo amor, uma maneira suave de passar os longos e duros dias...
Teria novamente alguém para pensar além do morto com traumatismo craniano.
Teria novamente alguém para pensar além do morto com traumatismo craniano.
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